January 11, 2012

Vamos jogar? 

O prazer da dor.

Stéphane Legrand estava sentada na poltrona da sala escura, tendo apenas o brilho da lua que atravessava as portas de vidro que davam acesso à varanda. Sabia muito bem o que havia naquela sala; já decorara cada coisa dali. Estava fitando a porta com aqueles intensos olhos verdes, só esperando que se abrisse e revelasse a pessoa certa. Sua atenção jamais saia da porta de madeira escura tão bem entalhada. Não sentia necessidade de olhar para o lado e se deparar com a imensa televisão que emoldurava uma tela cinza, indicando que o canal estava fora do ar, ou que talvez o aparelho de DVD localizado logo abaixo, no aparador baixo de mogno, estava desligado. Não ouvia-se um único som na sala de estar. Só o silêncio da espera, que lhe parecia agoniante.

A maçaneta dourada girou lentamente, indicando que alguém chegara. Logo sentiu-se mais animada, sabia muito bem quem era, não fizera alarde algum, apenas continuara sentada ali observando cada movimento que seria executado por quem acabara de chegar.

Pouco se incomodou, também, quando sentiu uma parte de sua franja loura arruivada comprida cair-lhe sobre os olhos, criando uma cortina de fios acobreados lisos que impedia parcialmente a visão atenciosa que mantinha há quase duas horas. Duas longas horas de espera.

– Finalmente, Faletti! – deu boas vindas a quem entrara, vendo o homem alto não ceder-lhe nem o mísero olhar.

– Parece um cão esperando o dono, Stéphane – murmurou daquele jeito previsível. Stéphane sabia que seria daquele jeito; sempre fora. Mas não gostava, por outro lado: adorava aquela coisa toda de desprezo e tudo mais.

– Onde esteve? – levantou-se, desligou a televisão, que finalmente teve a tela plana posta em descanso naquele típico fundo preto, seguiu o recém chegado até a cozinha e apoiou-se do lado da geladeira, vendo o outro pegar um copo e Martini, servindo-se da bebida e sorvendo-a logo em sequência. Ainda não vira como a loura estava.

– Já disse: em lugar algum – virou-se, finalmente, para a outra e contemplou a imagem a sua frente, mas continuava com a expressão cansada em seu rosto. Parecia que ver a outra daquela forma já era normal.

Stéphane trajava apenas um shorts jeans minúsculo e grudado ao corpo, denunciando as coxas torneadas, o tronco muito bem delineado e os braços leves cruzados sobre o peito com raras sardas que a deixavam ainda mais atraente. A pele branca estava levemente bronzeada, como se tivesse passado o dia no sol. Não era o habitual; Coletti jamais fora tão bronzeada. Mas estava em sua média, por assim dizer.

– Quando você vem com essa história, dá vontade de te esganar – chegou perto do mais velho, pousando as mãos em seu pescoço, fechando-as em torno deste. O maior, no entanto, permaneceu tão calmo do jeito que chegara. Sabia que Stéphane jamais lhe faria algo.

– Sério? Pois juro que mal percebo a raiva e a vontade de me matar – levou uma das mãos a cintura da outra, puxando-a para mais perto e grudando os corpos. A outra mão levou às nádegas firmes de Stéphane.

– Sabe que eu não faria isso, Faletti – disse em tom amoroso tendo um sorriso iluminando a face levemente corada pelo toque do parceiro.

– Faça, Stéphane. Faça, se é que tem coragem – sorriu duvidosamente.

– Está duvidando de mim?!

– Claro que sim, não conseguiu perceber?

– Não gosto disso, Faletti. Na verdade, me dá raiva – e, dizendo tais palavras, estreitou ainda mais os dedos na carne macia e branca do parceiro, vendo este sorrir prazerosamente.

O mais velho nada disse, apenas deixou que um gemido ecoasse pela cozinha ampla, bem arrumada e limpa. O sorriso que contorceu os lábios carnudos de Stéphane era de deleite. Jamais fizera aquilo com o parceiro, só recebia tal tratamento e sentiu que retribuir o carinho era tão prazeroso quanto recebê-lo.

Faletti levou suas mãos sobre as da menor, ajudando-a no ato. O que recebia era pouco em vista do que queria.

Pôde perceber um brilho cortar o olhar esverdeado faiscante da parceira e gostou do que viu, tendo plena consciência de que aquele brilho era algo bom e era o que estava esperando.

Segundos mais tarde, enterrando as unhas levemente compridas na carne macia daquela área, foi a loura quem gemeu, fechando os olhos e aplicando uma nova força, sentindo a pele ceder e o sangue brotar de onde suas unhas estavam. Inconscientemente, esfregou seu corpo contra o do parceiro, que percebeu que  esta já estava em um estado diferente, talvez pedindo por aquilo.

Com facilidade, desfez-se do estrangulamento da ruivo, sem nem sequer fazer muito esforço. Mal chegara a perder o ar ou a sentir o breve desespero em busca de oxigênio.

– Sabia que você era fraca, Stéphane. Só não sabia que era tanto – observou os nós dos dedos da garota estarem mais brancos que o normal, entretanto não sabia se aquela visão fazia jus a toda força que usara; parecia algo exagerado. – Vou lhe ensinar – sussurrou maldosamente no ouvido da loura, virando-a de costas para si e de frente para o balcão que outrora estivera encostado. Imprensou-a ali e levou suas mãos para o pescoço fino de Stéphane, executando os movimentos antes feitos por esta.

Estreitou ainda mais os dedos, aplicando real força, sorrindo com o que fazia e ao ver as reações da parceira. Esta estava já sem ar, as unhas arranhavam os braços do parceiro, mas seu baixo ventre não correspondia ao desespero, na verdade. Sentia os quadris se pressionando contra os seus próprios, já sentindo o baixo ventre fisgar levemente. Mal deixava a loura gemer, apesar de ouvir os gemidos sendo vocalizados naquela voz tão luxuriante e prazerosa.

Apertou ainda mais, descontando toda raiva que passara aquele dia naquele ato, asfixiando-a severamente. Segundos depois, relaxou os dedos e levou-os para os lábios entreabertos de Stéphane, ouvindo um longo gemido deliciado logo em seguida, ao passo em que tentava sugar os dois dedos e gemer ao mesmo tempo.

– Aprendeu, meu amor? – murmurou traiçoeiramente no ouvido da outra, observando-a assentir.

Desceu a mão livre, que se encontrava no ombro de Stéphane, e levou-a até seu baixo ventre, encontrando o que já sabia existir.

Stéphane gemeu mais alto, praticamente gritando, de forma que abandonara os dedos do mais velho.

– Não, Stéphane. Até saber como se trata o seu dono com respeito e obedeça o que ele quer, não terá nada – afastou-se do corpo jovem que estava entregue aos prazeres que sentia, percebendo só alguns segundos mais tarde que fora deixado sozinha naquela cozinha.

– Faletti! – correu até onde o outro poderia estar, encontrando-o no quarto, já sem a camisa preta que trajava.

– Você sabe como tudo funciona por aqui, meu anjo. Tem que saber obedecer, caso contrário não ganha o que quer.

– Mas e você? Dá para ver que também quer – disse de forma provocativa, sentando-se no colo do parceiro, abraçando-o com as pernas pela cintura. – E dá para ver muito bem – fechou os olhos e mordeu o lábio inferior, jogando a cabeça para trás, fazendo uma cascata com os cabelos louros arruivados, que agora chegavam quase a metade de suas costas. Os quadris da loura se friccionavam quase febrilmente contra os de Faletti.

– Stéphane, você não aprende – disse em um tom irônico e afastou-a um pouco, deixando-a sentado em seus joelhos. – Que tal me divertir um pouco? Meu dia foi estressante, preciso que me distraia.

– Precisa? – curvou uma das sobrancelhas louras em ar de dúvida, mas ao mesmo tempo com um riso baixo.

– Abaixe e faça o que sabe fazer de melhor. Prove que esses lábios deliciosos não sabem apenas beijar, mas também como dar prazer ao seu amado.

Abriu as pernas ligeiramente, fazendo com que Stéphane saísse de seu colo e ajoelhasse-se a sua frente.

– E depois? O que ganho com isso?

– Vou fazer tudo do que possa imaginar. E da forma mais violenta possível. Não terá forças para nada amanhã, sequer para acordar.

Mais um gemido da menor. Sua mente era realmente criativa e sempre trabalhara a mil por hora, talvez principalmente em momentos como aquele.

– Mas…

– Mas o quê? – os olhos verdes agora tinham as pupilas terrivelmente dilatadas, tamanho era o prazer. Desviou o olhar de seu alvo e voltou a encarar o parceiro.

– Só se eu gostar. 

– Com todo prazer – e sorriu maldosamente.

Abriu o botão da calça jeans preta que o parceiro ainda usava, em seguida abaixando o zíper daquela peça tão justa. Viu sob o pano da boxer preta que estava mais do que ereto. Pousou a mãos sobre o membro pulsante do parceiro, apertando-o de forma quase violenta, arrancando o primeiro gemido.

Livrou-se também da única coisa que a atrapalhava, logo fazendo o que o parceiro lhe pedira, engolindo com força e enterrando-o até o fundo, sentindo encostar bem no fundo. Não engasgou-se, por outro lado, só fazia cada vez mais fundo e mais forte, mordiscando de vez em quando.

– Ah, minha bela Coletti… – a voz do parceiro delatava todo seu prazer e desejo. – Então esses lábios vermelhos e tão provocativos não servem apenas para falar; eles também trabalham muito bem.

Stéphane sorriu visivelmente, dando uma atenção especial à glande, sugando o líquido que já havia ali. Parecia sedento.

Quando a parceira finalmente desfez-se em sua boca, a loura engoliu cada gota como se fosse a melhor coisa do mundo, provocando o mais velho com suas caras e bocas, passando a língua avidamente por toda extensão do membro do parceiro, limpando qualquer resquício do líquido viçoso e branco que ainda pudesse ter.

– Coletti, você é a melhor garota que um homem pode ter – o mais velho agarrou-a pelo queixo e encarou aqueles olhos profundos de desejo.

– Foi realmente bom?

– Ah, Stéphane… Ganhou sua noite.